quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
A Indústria Cultural e a Escola de Chicago
Dessa forma, os produtos da indústria cultural que ele virá a consumir serão influenciados por esse mesmo espaço. Não seria muito dizer - por meio de uma ótica pessimista - que, sendo a indústria cultural uma forma de alienação, esse individuo estaria fadado a um ciclo de consumo impróprio (Uma vez que o consumo se baseia em seu repertorio e seu poder aquisitivo).
Mas se formos encarar a questão por meio de uma visão mais pessimista, estariamos excluindo uma série de individuos que conseguiriam ascender a uma camada mais alta da sociedade.
Estariamos excluindo o fato de que o próprio espaço geográfico que o cerca, serve de estimulo para sua ascenção.
Sendo assim, para realmente entendermos as formas de comunicação, e como a consumo é realizado, não podemos nos limitar a um fator de localização geográfica e social.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Industria Cultural
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
A arte como produto?
Entretanto idéias como essas, suscitadas por teóricos como Adorno e que faziam sentido no começo do século XX com o seu modelo fordista de produção, sempre partiam de um mesmo pressuposto: a massa (objeto amórfico e homogêneo) não poderia usar o seu poder de escolha a fim de possuir maior “atuação” diante desses novos tempos.
Adorno critica a chamada Indústria Cultural, relativizando todo e qualquer objeto de cultura oferecido à massa – no seu caso, em particular, a crítica dirige-se ao cinema, que considerava como arte pronta, que se esgotava em si mesma.
Ao observarmos isto, podemos concordar que de fato o cinema é a “arte” que mais se aproxima do que podemos chamar de um “produto”, pois surgiu como uma indústria que era utilizada para entreter as classes menos favorecidas e servia apenas como mais uma atração em um show de variedades. Através do século XX Adorno observou muito bem que o cinema funcionava como um produto que culminou com o surgimento de Hollywood, onde a arte ficou relevada a segundo plano.
Porém isso não impede que dentro deste meio de produção, não possa existir espaço para algo criativo e que seja um terreno fértil para um debate de idéias.
Artistas como Marcel Duchamp, partindo de idéias de Stéphane Mallarmé, dizia que a obra seria cada vez mais pessoal (única) e, portanto do povo, quanto mais difícil ela fosse. Algo semelhante dizia Vladimir Maiakovski que acreditava que se o povo (a massa indistinta) fosse apresentado paulatinamente a discursos menos simplistas saberiam entender e apreciar o que lhe era apresentado, e observava que uma arte popular não é necessariamente algo pouco profundo.
Regimes autocráticos, centrados na figura de um líder, sempre preferiram acreditar que a massa não tem capacidade de entender discursos mais elaborados e, portanto, deve ser mantida ignara. Assim, tanto os panfletos doutrinários quanto as amostras culturais oferecidas ao povo devem ser simplistas e conclusivas, sem deixar margem a análises e críticas.
Walter Benjamin, por sua vez, afirmava que o cinema podia ser enquadrado como uma arte com valor de exposição, pois nele há a síntese da exposição de uma obra de arte, já que traz consigo a reprodutibilidade técnica desta. Diferentemente do teatro, que ainda carrega uma espécie de valor de culto, pois uma peça não pode ser reproduzida tecnicamente – a cada nova encenação, a mesma peça, apresentada pelos mesmos atores, com o mesmo diretor, o mesmo cenário, será diferente da anterior.
Assim, o teatro que ainda traz consigo a característica da ‘aura’ (o valor de culto) com a perda desta, essa apresentação única se perde no tempo e não poderá nunca mais ser vista, acaba sofrendo uma crise dentro do universo cultural.
Assim, cada vez mais a arte caminha em direção à reprodutibilidade, porém sem que a obra original perca sua importância, pois hoje em dia vemos que o valor de exposição se confunde com o valor de culto.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Da Massificação à Tribalização
Para Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural é um fenômeno moderno originado do liberalismo e consiste em um sistema de produção de bens artísticos em escala industrial e mercantilização da cultura e do conhecimento. Esse fenômeno, fruto da industrialização, acabou gerando um caos cultural devido a padronização dos meios técnicos e conseqüentemente de estilos, da massificação do público, do predomínio da técnica em detrimento da idéia, transferência da arte para a esfera do consumo e uma reprodução de fórmulas que levam a arte ao esgotamento.
Rádio, televisão, revistas, cinema, todos eles foram transferidos do campo cultural para o dos bens de consumo, criando uma indústria do entretenimento, onde o consumidor é mediado pela diversão. Como exemplo dessa indústria do esquecimento, podemos citar o cinema hollywoodiano, que repete incessantemente suas fórmulas desde antes da Warner e da MGM, utilizando suas produções para a venda de carros até bebidas e cigarro, além de ideologias. A moda contemporânea é incapaz de criar algo original, fecha-se num revisionismo cíclico de estilos. As revistas de celebridade e a televisão são outros exemplos.
O problema dessa “reprodução mecânica do belo”, é que, além de propor apenas entretenimento, e não conseguir elevar essa diversão ao máximo , devido a seus clichês e seu tom comercial, ele é um veículo ideológico que manipula o público.
Porém, a Indústria Cultural é fruto de um sistema produtivo baseado principalmente no fordismo. Quando o modo de organização capitalista passa a ser baseado no toyotismo, a flexibilização e diversificação da produção é ampliada, a partir desse momento, começa a se formar outro tipo de fenômeno, a tribalização ao invés da massificação.
Nessa nova conjuntura, as teorias de Adorno começam a ser insatisfatórias (as mídias digitais possuem uma dinâmica muito diferente das analógicas, pense na Internet), e apesar de explicar satisfatoriamente outro momento histórico, elas são incapazes de esclarecer a realidade em toda a sua complexidade.
sábado, 31 de outubro de 2009
Theodor Adorno e a Indústria Cultural
Esses produtos culturais aparentam ser apenas de entretenimento, mas carregam uma estrutura mais profunda destinada à dominação e à manipulação do público. (SANTAELLA, 2001, p. 39).
A Indústria Cultural só pôde ocorrer a partir do desenvolvimento técnico que possibilitou a produção e a difusão em larga escala de seus produtos, (ou seja, o Fordismo) e a concentração econômica e administrativa (característica do capitalismo monopolista), que integra esses dois elementos (a produção e a difusão), dando a eles o caráter de sistema.
Nesse contexto, há a ilusão de que todos têm opção de escolha e acesso aos mesmos bens da cultura. Entretanto, isso é falso, pois, as empresas de divulgação já selecionaram antecipadamente o que cada segmento social pode consumir:
a qualidade gráfica de letras e imagens, o tipo de manchete e de
matéria publicada definem o consumidor e determinam o conteúdo
daquilo a que terá acesso e o tipo de informação que poderá receber.”
(CHAUÍ, 2006, p. 29)
Como estratégia de seduzir o consumidor, a Indústria devolve-lhe o que ele já consumiu outrora, mas com outra aparência, fazendo com que suscite a sensação de que ele está consumindo algo novo. Com o tempo, a publicidade deixa de apresentar o produto em si e passa a seduzir os compradores vendendo a imagem dos desejos que seriam realizados caso o consumidor obtivesse tal produto.
Segundo Adorno, o controle social assume a forma do controle de consciência que pretende neutralizar o potencial crítico do indivíduo, assimilando-o ao funcionamento do sistema. Ou seja, a consciência das pessoas passa a ser crescentemente homogeneizada, assim como os próprios produtos da Indústria Cultural, que são completamente padronizados. Essa dominação é necessária à sobrevivência do sistema. O controle utiliza aquela linguagem de fácil familiaridade e acaba destruindo as singularidades dos indivíduos.
Entretanto, a Indústria Cultural descrita por Adorno se limita a uma complexidade Fordista de produção e a partir da década de 1980, com o Toyotismo, a produção industrial é extremamente alterada, restringindo aí a teoria de Indústria adorniana. Possibilitado pela alta tecnologia, no Toyotismo ocorre a flexibilização da produção e a diversificação dos produtos, e com isso, não existe mais a “massa”, mas sim nichos de consumo diferentes.
E é a partir da intensificação da internet que Chris Anderson defende sua idéia de Cauda Longa: com a fragmentação do mercado, quebra-se a idéia de massa, e progressivamente, passamos a ter mais bens/produtos, possibilitados por uma nova distribuição e novos mercados. O mercado se volta a tribos, que consumem produtos cada vez mais específicos, o que faz com que a cauda longa, na verdade, seja “infinita”.
A internet, por exemplo, jamais seria explicada pela lógica da teoria adorniana de Indústria e, por não conseguir abarcar a realidade de forma satisfatória, a teoria passa a não servir à atualidade. Segundo Lukacs e, anteriormente, Marx, é deficitária uma teoria que não é capaz de analisar a realidade em sua totalidade.
Referencias Bibliográficas:
ADORNO, T. A Indústria Cultural e Sociedade. Seleção: Jorge Mattos Brito de Almeida. Trad: Julia Elisabeth Levy...[et al.] . São Paulo: Paz e Terra, 2002. (Coleção Leitura)
ANDERSON, Chris. The Long Tail. (web)
CHAUÍ. Marilena. Simulacro e poder: uma análise da mídia. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2006.
SANTAELLA, Lucia. Comunicação e pesquisa. São Paulo: Hacker, 2001.